LET IT SHINE

                                         

Para outro

No começo, tudo tinha aspecto de início. Alegria, esperança, vontades, desejos, sonhos. Construir tudo que almejávamos era nossa prioridade, mas havia inúmeros obstáculos e optamos por esperar o tempo acalmar. O tempo veio, não trouxe o novo sopro que esperávamos, mas uma brisa fria e petrificante. Percebi então, que a história chegara ao meio. Não era o fim, as cartas ainda estavam sobre a mesa, e o que faltava era a vontade de jogar. Você decidiu continuar a partida, e eu dei segmento. Ainda havia emoção. Existia uma carga de expectativas mesmo sendo um jogo antigo. Aproveitei cada suspiro daquele instante, pois sabia que era único. O meio puxa o fim. Quando há linearidade, entende-se que o que começa tem um final, e sabia que logo mais, ele viria. E veio. Silencioso, cauteloso e sorrateiro. Mal pude descansar as pálpebras, que ao abri-las, notei que não havia mais cartas. No entanto, lá estava você com aspecto de fim. Indiferença, descrédito, causando uma sensação de tanto faz. Calei-me, pois o seu silêncio era ensurdecedor, e eu já não podia sequer ouvir minha voz. Levantei-me, te deixei só na mesa. Não havia mais jogo. Desacreditei, mas você achava que eu ainda iria buscar mais uma oportunidade de jogada. Não quis, sai por aí. Ausentei-me. Não há mais o que fazer, pois sabe aquela chance de me fazer feliz que te dei há um tempo? A entreguei para outro.

Sabrina Teles, 07/12/2011

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