
De olhos abertos graças ao efeito da cafeína. O coração pulsando por ser um movimento involuntário. A respiração está controlada, mas os olhos não conseguem esconder o sentimento de angústia que se sente.
Não há quem culpar, não dessa vez. É um dia normal, mas que com a nuvem negra que parou sobre mim, tornou-se um inferno.
Nada é capaz de prender minha atenção. Meu eu triste e confuso é minha prioridade. O meu maior desejo é sofrer essa dor sem fundamento em um lugar escuro e com a ausência de movimeto, som, opiniões, ausência de julgamento.
Não quero saber o que eles pensam sobre a minha angústia, não preciso da aprovação de ninguém para ser infeliz.
Quando se está feliz todos querem saber o motivo da sua felicidade. Na verdade eles querem sugar um pouco dela. Querem ter mais motivo para se sentir bem. Mas quando se está mal é mais cómodo não saber o porquê. Passar, olhar e partir, ninguém quer beber do cálice da angústia.
Agora bebo dessa tristeza em meio a multidão. O poço está um pouco mais em cima. Ninguém percebe que fico nele, pois não me ausento desse mundo. Não é necessário sumir para estar distante de todos.
Sabrina Teles, 28/11/2010

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