Eles insistem em criar remédios para tudo. Há desde aqueles mais simples, para dor de cabeça, azias, cólicas, até os mais complexos, para cânceres, hepatites e outras doenças pesadas. E para o mistério fatal? Eles não encontraram. Poderia colocar entre o substantivo, eles e o advérbio, não, outro advérbio, ainda. Mas não estão para descobrir, as chances são mínimas e forças maiores comandam. Quando as condições são essas, eles não costumam se atreverem a tentar desvendar mistérios.
Pouco me importa a receita do antídoto. Muitos já foram, e nesse momento um contraveneno não adiantaria nada. Quero mesmo entender o porquê dessa partida sem adeus, o porquê de um fim no começo de muitas histórias. Os mais sábios que conheço, nada me respondem, eles se perdem em meio a tantas teorias e práticas. Eu, uma mera adolescente, perco noites de sonos e dias de lazer tentando entender o que acontece após esse fim; ao mesmo tempo peço conforto para não enlouquecer com tanto mistério.
O problema não são as lágrimas, pois há água suficiente no mundo para hidratar o corpo e abastecê-las. A dor está na ausência, na rotina, nos costumes, nos afetos, no contato físico- que após o desfecho se faz impossivelmente impossível (a gramática que me perdoe, mas cabe aqui esse pleonasmo).
Neste momento uso as palavras como desabafo. O desejo real é reverter um passado evitável, é suavizar a dor de um coração magoado e com pedaços que foram levados pelo mistério fatal. Desculpem, mas não há fundamentações teóricas, pesquisas, nem nada do gênero. Escrevo porque os pensamentos não cabem dentro da caixola, sou entendida, mas não compreendida. Por isso jogo opiniões e dizeres aqui; onde posso “surrealizar” e viver um pouco daqueles que partiram.
Sabrina Teles, 15/12/2010

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