LET IT SHINE

                                         

Ela disse adeus

A encontrei sentada em um banco. Parecia que não era a mesma de ontem. Ela carregava um sorriso. Suas unhas estavam pintadas, seus cabelos compridos, sua roupa era diferente e seu perfume também. Ela cheirava a crescimento e esquecimento.
Tentei me aproximar, falar, sorrir, mas o seu olhar em minha direção era completamente vazio. Era como se eu não estivesse ali, era como se não existisse. Gritei alto e até suspirei antigas juras de amor, mas ela nem se moveu. Tentei beijar-lhe os lábios, mas os delas nem saíam da secura que era o silêncio.
Sentei ao lado dela e lembrei-me do pra sempre, do nosso possível casamento, dos nossos futuros filhos, que por sinal já tinham nome. Lembrei-me de todas as noites e de todos os dias, do amor intenso que existiu entre nós, da dependência que tínhamos um pelo outro e da paz que aquela menina, hoje mulher, me trazia. Acariciei os seus cabelos da forma que ela mais gostava, beijei a ponta do seu nariz para fazê-la sorrir como de costume, tentei dizer em seu ouvido segredos nossos, mas o sorriso nos seus lábios era pra quem passava na rua e a observava.
Enganei-me, era possível um dia ela me anular. Não sou inesquecível e ninguém está disponível a vida toda, não foi necessária uma vida. Dois longos anos fizeram a minha pequena amadurecer e ver que o eu dela não estava em mim e decidir buscar a felicidade pelos caminhos escolhidos de forma autônoma.
Estupidamente homem, estupidamente egoísta e estupidamente eu. Eu que a deixei ir, a perdi e a tatuei. Ela? Ela disse adeus e cegou-se diante a minha imagem.
Sabrina Teles, 12/08/2010

Dreaming about love

Tão meu e de mais ninguém. Dono de um olhar seguro e um sorriso sincero. Mãos acolhedoras e boas intenções. Transmite uma alegria constante e o sonho de um futuro ao meu lado.
Compreensão, calma, amor e outros sinônimos. Sabe enxergar o meu interior e me fazer crescer. Impulsiona meu acordar em manhãs típicas de segunda-feira.
Me completa e dá sentido a um coração que há pouco tempo era só uma incógnita. Seca as lágrimas que ainda correm de um passado doloroso. Segura firme a minha mão e só com um olhar diz que tudo vai ficar bem. Coração acelera fugindo da rotina, o corpo sua frio e o despertador toca como de costume.
Por que só nos meus sonhos existe uma pessoa assim? Tão bem feita pra mim.
Sabrina Teles, 08/08/2010

Não é para todos

Secretamente secreto e não é pleonasmo. Tão profundo e raso, tão quente e tão frio, tão nosso e só nosso.
Não é pra ser diferente, não é pra aparecer, nem conter.
A cada palavra falada nos apoderamos um do outro. O sentimento sobressai e a cada instante é mais díficil não querer.
Logo mais o impossível entrará em cena. Abrirá portas para o esquecimento, aconchegará o desapego e anulará todo intenso sentimento.
Não é diferente. Não se preocupe, comigo sempre foi assim.
Sabrina Teles, 23/07/2010

Adeus

Ela atrai o impossível, o improvável. Chama atenção de quem não pode, de quem não deve. Isso não a agrada, mas também não a insatisfaz.
Para quem se sente só, qualquer companhia é válida. Mas sozinha é que encontra o verdadeiro sentido da vida. Por isso ela sempre diz adeus.
Adeus frio que não leva nenhuma bagagem, recordação. É um adeus inteiro, que completa-se naquele instante e não volta mais.
A sua roupa é sempre a mesma, a do corpo. O seu olhar se alterna para seduzir e confundir. O sorriso ela sempre carrega, enigmatizando a todos incapazes de entender a felicidade prazerosa que carrega em todo seu adeus.
Sabrina Teles, 16/07/2010

Mais um

Tão coisificado, tão não meu, tão objeto. É de qualquer alguém, de quem quiser e puder.
Não é propriedade de ninguém. Ninguém domina, controla.
Não se move por sentimentos, nem por razão. Foge do que é comum aos meus olhos e se move por instintos. Instintos do mal ou do bem? Impossível saber. Varia diante das situações.
Impossível de amar, gostar, acreditar. Impossível de sentir.
Não é nada mais que mais um. É possível vê-lo uma vez no ano, literalmente, sem achar que uma vez na semana é uma vez no ano. É só mais um, que no encontro ou no desencontro não faz nenhuma diferença.
Sabrina Teles, 03/07/2010

Pensamentos

A vida é tão irregular, tão distinta. Não conseguimos pegar parâmetros, nem modelos. Ninguém consegue tê-la de forma igual.
A solução seria a igualdade ou qualidade? Acredito na qualidade. Não precisamos viver da mesma forma para sermos felizes, precisamos viver bem para sentir a tal da felicidade.
A busca pelo melhor para muitos é inalcançável. Eu a sinto perto de mim, seu ponto de chegada pode estar longe, mas ele existe.
Para quem fecha os olhos e coloca fones de ouvido parece impossível existir soluções. Mas para quem abre os olhos, escuta, abre o coração, fala, usa a caneta para o bem, as soluções aos poucos aparecem.
Escrevo porque amo, sou capaz de viver intensamente uma história que jamais sairá do papel.
Sabrina Teles, 01/07/2010

So easy?

Sensação de felicidade mais uma vez. O que me espera? Não sei, ninguém sabe. A busca pelo amanhã melhor é constante. Mas se ele não vir? O que vamos fazer com tantas expectativas, sonhos e amores? Vamos enterrá-los mais uma vez? Não. Vamos criar os verbos “resonhar”, “reamar”, “reacreditar” e tentaremos mais uma vez.

É fácil se conformar com um sim ou não. Difícil é se questionar, é usar o porquê. É se perguntar porque as coisas não dão certo e se perguntar porque a gente não muda.

Não é fácil reconhecer o que não é saudável em você mesmo, é difícil jogar fora um hábito seu que te faz mal. Mas vamos tentar, vamos nos desapegar a quem/ o que nos faz mal, vamos pensar em positividade e deixar a negatividade de lado.

Existir é fácil, viver que é muito difícil. Mas podemos relativizar a palavra difícil e torná-la mais fácil. Busque a vida em uma flor de plástico. Mesmo inanimada ela é capaz de exibir suas belezas excepcionais.

Sabrina Teles, 29/06/2010

Solucionando

Os muros de sua vida são tão firmes quanto aqueles que a cercam. Todo amanhecer uma renuncia e uma nova chance a si mesma. O desejo não é esquecer o que ficou para trás, é querer o que ainda não foi sonhado.

Ela sorri ao lembrar que o passado é tão banal, que a cada segundo que passa ele faz mais jus ao significado que carrega.

Reconhece o quão é inteligente deixar o que é mórbido e buscar uma felicidade sólida. Felicidade sua, felicidade real, fugitiva do mundo das ideias. Felicidade digna de companhia e inimiga da solidão.

Os dias chuvosos são até mais bonitos que os dias de sol vivenciados com a tristeza. Tudo pode dar errado em volta, mas no seu interior nada é abalado, seus muros estão com estruturas montadas, o que lhe falta são apenas os retoques relevantes. Retoques mutáveis, moldáveis, que mudam de acordo com a temperatura do seu coração.

Superar vira filosofia de vida. No seu mundo é comum a fragmentação do sentimento. Ela discorda, mas aceita cegamente o que parece ser mais fácil, é mais simples matar um amor com o nascimento de outro.

O ciclo um dia se fechará. Não haverá nada para nascer e nem coragem para matar, então ela conhecerá o amor que não é sujeito à morte, o tal do imortal.

Sabrina Teles,07/06/2010

Contradizendo

Biologicamente o céu, o sol e a lua sãos os mesmos. As estrelas que brilham aqui supostamente brilham lá. A lua muda no mesmo ritmo, as horas e os minutos passam na mesma velocidade, os dias têm a mesma duração. Mas para mim não, o meu coração pulsa em ondas diferentes. Ondas que ninguém que esteja aqui ou lá é capaz de sentir.

Uma hora faz diferença, um dia faz muita diferença. A contagem sai das folhas de um calendário, dos ponteiros do relógio e passa para as batidas de um coração.

Por mais que os dias sejam bons e ensolarados, sentir o tédio é inevitável. Parece que falta um pedaço, algo falta para sentir-me em uma felicidade constante.

Busco a distração, busco encontrar algo que me atrai. Mas tudo parece tão nulo e sem nexo. O sol que aqui tenho brilha mais forte lá, a lua que aqui clareia é despercebida ao meu olhar.

Eu amo viver aqui, amo esse lugar. Sinto-me tão contraditória, pois quando lá estou escrevo palavras análogas a essas falando da saudade que sinto daqui, um lugar do sol diferente, um lugar que não é fácil viver, mas é impossível abandonar.

Sabrina Teles,04/06/2010

Independência dependente

O sentimento não queima, ele molha, venta. Vai além do desejo, mas é irresistivelmente silencioso. Ele não sabe a hora de calar e de falar, não sabe a hora de dizer sim e dizer não. Alterna-se na intensidade, mas não transmite nenhum tipo de mudança para o mundo que o rodeia.

Quem o vê de fora não entende, acha que ele já se foi, mas cada dia que passa vive mais. Vive na esperança de ser entendido por quem ama, na esperança que alguém sinta piedade de tanto amor solitário.

A luta diária é cada vez mais intensa. Falsas verdades insistem em dominar o coração confuso e cansado, já não é suficiente a dor que o amor causa por existência? Não.

No meio de tanta desordem e indecisão o sentimento se potencializa mais e mais fazendo sofrer, fazendo chorar, enlouquecer e desequilibrar.

Sinto-te tão longe do meu mundo, tão longe da minha existência. Uma independência dependente. Dependência que se fosse vital me levaria à morte. Mas nada pode ser imprescindível assim. Afinal, de quantas vidas eu precisaria para morrer de amor?

Sabrina Teles, 02/06/2010