A encontrei sentada em um banco. Parecia que não era a mesma de ontem. Ela carregava um sorriso. Suas unhas estavam pintadas, seus cabelos compridos, sua roupa era diferente e seu perfume também. Ela cheirava a crescimento e esquecimento.Tentei me aproximar, falar, sorrir, mas o seu olhar em minha direção era completamente vazio. Era como se eu não estivesse ali, era como se não existisse. Gritei alto e até suspirei antigas juras de amor, mas ela nem se moveu. Tentei beijar-lhe os lábios, mas os delas nem saíam da secura que era o silêncio.
Sentei ao lado dela e lembrei-me do pra sempre, do nosso possível casamento, dos nossos futuros filhos, que por sinal já tinham nome. Lembrei-me de todas as noites e de todos os dias, do amor intenso que existiu entre nós, da dependência que tínhamos um pelo outro e da paz que aquela menina, hoje mulher, me trazia. Acariciei os seus cabelos da forma que ela mais gostava, beijei a ponta do seu nariz para fazê-la sorrir como de costume, tentei dizer em seu ouvido segredos nossos, mas o sorriso nos seus lábios era pra quem passava na rua e a observava.
Enganei-me, era possível um dia ela me anular. Não sou inesquecível e ninguém está disponível a vida toda, não foi necessária uma vida. Dois longos anos fizeram a minha pequena amadurecer e ver que o eu dela não estava em mim e decidir buscar a felicidade pelos caminhos escolhidos de forma autônoma.
Estupidamente homem, estupidamente egoísta e estupidamente eu. Eu que a deixei ir, a perdi e a tatuei. Ela? Ela disse adeus e cegou-se diante a minha imagem.
Sabrina Teles, 12/08/2010

0 comentários:
Postar um comentário