
No começo, tudo tinha aspecto de início. Alegria, esperança, vontades, desejos, sonhos. Construir tudo que almejávamos era nossa prioridade, mas havia inúmeros obstáculos e optamos por esperar o tempo acalmar. O tempo veio, não trouxe o novo sopro que esperávamos, mas uma brisa fria e petrificante. Percebi então, que a história chegara ao meio. Não era o fim, as cartas ainda estavam sobre a mesa, e o que faltava era a vontade de jogar. Você decidiu continuar a partida, e eu dei segmento. Ainda havia emoção. Existia uma carga de expectativas mesmo sendo um jogo antigo. Aproveitei cada suspiro daquele instante, pois sabia que era único. O meio puxa o fim. Quando há linearidade, entende-se que o que começa tem um final, e sabia que logo mais, ele viria. E veio. Silencioso, cauteloso e sorrateiro. Mal pude descansar as pálpebras, que ao abri-las, notei que não havia mais cartas. No entanto, lá estava você com aspecto de fim. Indiferença, descrédito, causando uma sensação de tanto faz. Calei-me, pois o seu silêncio era ensurdecedor, e eu já não podia sequer ouvir minha voz. Levantei-me, te deixei só na mesa. Não havia mais jogo. Desacreditei, mas você achava que eu ainda iria buscar mais uma oportunidade de jogada. Não quis, sai por aí. Ausentei-me. Não há mais o que fazer, pois sabe aquela chance de me fazer feliz que te dei há um tempo? A entreguei para outro.
Sabrina Teles, 07/12/2011

Tentei sentir o seu desejo há algum tempo atrás, mas não consegui. Pareço boba, pois sempre esqueço das suas manias estúpidas. Mania estúpida de querer algo somente quando está fora do alcance. Mania estúpida de conseguir e depois não querer mais.
Estive o tempo todo ali. Quando era impossível e invulnerável, você realizou todos os meus anseios. Quando tudo se tornou mais fácil, possível e vulnerável, você se satisfez e deixou tudo para trás.
Agora, o tempo passou e tudo que parecia ser confuso foi para o seu respectivo lugar. Doce e bom tempo, ele mostra o que é ou não de verdade. Fiquei observando as provas dele e junto a essas provas vieram você e as conversas semelhantes do passado. É incrível como nada muda, se nada muda.
Você insiste em alegar que piso em seu coração, mas sabe que se eu acariciasse, você não estaria aqui. Você persiste em dizer que eu sou a culpada por tudo aquilo que nos separa, mas sabe que não fui eu que fechei a porta entre nós, apenas a tranquei e te proibi de voltar.
Sabrina Teles; 13/07/2011

Seis horas da manhã. Muito sono, fruto de uma noite mal dormida. Olho para janela e vejo um dia cinzento e chuvoso. A cama me deseja, e eu também a desejo. Penso em toda a rotina, e a princípio, não há nada que me faça levantar. Fecho os olhos e durmo os cincos minutos de costume. Acordo como se tivesse descansado uma noite inteira. Mais uma vez tento pensar em motivos que me façam deixar o conforto matinal, e desta vez, encontro. O seu olhar, seu sorriso, seu cheiro, seu abraço, seu beijo, invadem a minha mente. O coração acelerado clama por mais um dia ao seu lado. A sua presença me nutre, só há fome de desejo e sede de amor. Te quero muito. O seu sorriso me faz rir, as suas palavras aconchegam minha alma cansada, o seu abraço rotineiro pede para seguir em frente. Seguir com você. Cada dia te querer mais e mais. Sem ter medo de andar por lugares desconhecidos de olhos vendados. Estou contigo. Não quero mais dormir. Não nesse momento que estamos em perfeita sintonia. Quero te sentir, aproveitar cada segundo daquilo que terá fim. O futuro é cruel, mas o presente está ao nosso favor. Viver, não se perder, apenas viver! Levanto. Sigo todos os passos da minha rotina. Desço as escadas e você me espera como em todas as manhãs. O perfume é o mesmo de todos os dias. O sorriso também. O olhar não, em cada nova manhã traz um brilho mais intenso. Brilho de amor. Brilho de eternidade finita. Me beija e contraria os conceitos da biologia, pois em cada momento, a junção dos nossos lábios me desperta uma sensação nova. Sensação de euforia. Sensação de querer estar perto. O dia passa, e a sua presença modifica a gravidade dos conflitos diários. Me coloca pra cima. Me alucina. Me fascina. Onze da noite. Olho pra o céu e vejo estrelas, lua e nenhuma nuvem. Vejo a cama. Ela não parece mais confortável. Penso em você. Não quero dormir. Durante o sono corro o perigo de ter um pesadelo. Prefiro ficar de olhos abertos. Do que me vale os sonhos se a realidade ao seu lado é mais segura? Fico de olhos abertos e não durmo por completo. Para o corpo, a noite parece mal dormida. Para a alma, a sensação de sonhar contigo acordada é que fica.
Sabrina Teles; 08/07/2011

Não espere pela minha vingança, pois ela jamais virá. Não aguarde um olhar de ódio, porque o máximo que terá será o de indiferença. Não acredite que de mim sairão as mesmas coisas que encontrou na última esquina, pois em cada canto que parar, encontrará um coração que pulsa em um ritmo diferente.
Não espere que das minhas mãos saiam bofetadas, socos, ou algo do gênero; se algum dia tiver que te agredir, atacarei com palavras. Se em algum momento quiser te ferir, esfolarei com olhares. E se, por acaso, um dia, desejar te matar, assassinarei com a dor do arrependimento.
Sabrina Teles; 18/05/2011

Não se preocupe comigo, nem com o que acontecerá amanhã, simplesmente, me olhe.
Não queira saber de onde vim e nem pra onde vou, apenas me sinta.
Não tente entender o que não quero falar, somente, aceite que o mistério é melhor para nós.
Não me pergunte se é amor ou paixão, só me beije de olhos fechados.
Não procure na minha memória lembranças suas, simplesmente, faça o presente ficar gravado.
Não repita para outro alguém palavras que me deu de presente, pois a intenção as fazem, e se essa não for a mesma, não será o mesmo presente.
Não tente me encontrar em outras pessoas, sou única. Essa busca incansável, somente, te frustrará e fará você voltar para o ponto de partida: o nosso encontro.
Sabrina Teles; iniciado em 04/10/2010 e retomado em 07/05/2011

O tempo passa. Simplesmente ele passa. Vai-se, discorre, apressa-se e não nos diz adeus. Não tem vontade própria. É inerente ao partir. Não se apega, não raciocina, contudo, deixa o seu rastro por onde passa. Nada é intencional, proposital. Ele, realmente, é incapaz de controlar os impactos que causa com sua chegada e partida.
Sente-se mal, manipulador e contraditório. Não entende como pode fazer tanto mal e bem simultaneamente, pois consigo traz rugas, mortes, mudanças, esquecimentos, e em contrapartida carrega juventudes, vidas, permanências, lembranças.
Certa vez, tentou matar-se, mas foi inútil, a imortalidade estava dentro de cada parte que o compunha. Olhou para trás, para frente, viu um grande caminho percorrido e um infinito para cursar. Aceitou-se exatamente como é: incompreensível, indecifrável e incoerente. Percebeu que todos seus caracteres, repletos de negatividade, eram ambíguos e deixavam espaço para tornarem-se positivos, pois era apenas uma questão de prefixo, e essa mudança era tarefa para quem o encontrasse.
Seguindo sua estrada, encontrou uma moça, essa o compreendeu inteiramente e viveu bem enquanto ele esteve por perto. Mas como sempre, o tempo teve que partir. Ela implorou pela sua permanência, porém, ele se foi e levou consigo toda a felicidade momentânea.
Mortal ser humano, não adianta insistir. Por mais que você o queira, ele não ficará. Não é frieza: a partida e a chegada é o que mantem a sua função.
Sabrina Teles ; 28/04/2011
