LET IT SHINE

                                         

A mulher e o moleque

Mais uma vez, ela dormiu de cansaço. Foi deixada esperando por horas, e nessa espera assistiu, chorou, pensou e adormeceu. Dorme agora uma mulher incrível, independente e de grandes sonhos. Mulher que poderia estar curtindo a vida, mas que descansa para se guardar para aquele. Dorme agora uma mulher que ama e acredita ser amada.

Mais uma vez, ele a enganou. A deixou esperando por um tempo que nem sabe ao certo, e nesse tempo encontrou amigos, mulheres e coisas legais para fazer. Diverte-se agora um moleque. A idade é de um homem, mas as atitudes insanas e egoístas fazem-no ser um moleque. Moleque que poderia estar em casa cumprindo suas promessas e fazendo planos para o futuro com aquela. Diverte-se agora um moleque, que não sabe nem dizer o que sente por ela, mas está certo que é amado.

Sabrina Teles; 28/01/2011

Dores

Morre de amores,dores, lamentações, sofrimentos. Morre de angústia, tristeza, saudade. Humilha-se, e perde a noção do quão ridículo é rastejar pelo amor de alguém que não o deseja mais. Chora, sofre e clama para que o passado volte. Mas ele não vem mais, já se perdeu nas datas corridas de um calendário que ficou para trás.
Jura para si todas as noites que amanhã será diferente, não lembrará mais dela e não desejará o sorriso encantador. Asfixia todo amor com uma mensagem de texto para outro alguém, promete fazê-la feliz, mas no fundo não quer se libertar do que se foi.
Textos parafraseados de internet, livros, TV, rádio, dão a ele a esperança de que o amor verdadeiro sempre volta. Assim, se alimenta de memórias, bebe do veneno que sai dos próprios lábios. Acredita nas ilusões criadas pela mente, e ao invés de viver como um jovem qualquer, fica mergulhado em profundos planos para que tudo volte a ser como era antes.
Cego, surdo, mudo, não consegue enxergar e ouvir os dias de sol que o chamam. Desistir é o caminho mais longo, mas é o mais digno para a valorização do ser humano. Esquecer é a melhor escolha, mesmo sendo praticamente impossível. Ao contrário dos filmes, a amada não volta, porque essa é a vida real; as pessoas encontram seus caminhos, e seguem deixando o passado para trás.
A esperança o move e dá forças. Ela ficará viva até o fim; e assim o matará e rirá da invalidade de tanta espera. Pobre garoto, não deixe que a esperança goze de você, encontre seu caminho e a deixe partir.
Sabrina Teles; 27/01/2011

Carta à escritora

Sem título, mas com emoção
"Tudo seria mais fácil se eu fosse um exímio escritor, se as palavras não me fugissem. Tenho os predicativos, os sujeitos, as ênclises, as comparações e até as contradições. Mas me falta o dom, o dom de ser o seu homem. Me falta chegar aos seus pés. Tenho carência de saber falar de ti.
Quero que você se sinta digna, valorizada, superior. Que você pise, ande por cima, amasse, menospreze e arranhe com essas suas unhas sólidas e inéditas. Unhas tão variadas e tão resumidas a dez dedos. Unhas de fênix, de joaninhas, de brasileiras e até mesmo de ursinhos puff.
Poderia te chamar de Capitu, seria a personagem que mais lhe assemelha com seus olhos de cigana oblíqua e dissimulada. De beleza rara, especial e ousada; mas não, limitar-te a uma personagem seria hipocrisia da minha parte. Prefiro te rotular como Sabrina, causa mais impacto, mais segurança, causa mais você.
Continuo o texto e ainda não sei como dizer. Jaá parei em mil lugares, em mil esquinas. Olhei e reolhei o teclado do computador, e nada me vem a cabeça. Provavelmente, eu estou procurando no lugar errado. Talvez eu deva me dar conta que você não está presa à palavras, muito menos a ínfimos textos escritos no Word.
Perdoe-me, sou um mero mortal. Estou escrevendo sobre ser, um grandioso ser, que esbanja poder, beleza e prazeres de tal forma, que com um simples piscar de olhos, faz mil e dois homens caírem aos seus pés. Trata-se de uma mulher, uma suntuosa mulher. Talvez não, provavelmente ainda uma menina, e que menina! Um curumim que brinca com os sentimentos alheios, sem intenções perversas, de forma natural, sem perceber que está se tornando o ser mais importante da vida daquele mero plebeu.
Escrevo, escrevo, escrevo, e ainda não me sinto exultante com nada do que disse. A todo o momento me vem à cabeça a sua imagem de deboche rindo de cada vírgula escrita. A cada intante me vem à cabeça o seu sorriso sarcástico, só que mais uma vez espontaneamente sem a inteção de me lesar. Afinal de contas, eu sinto a sua ascendência e me contento com o fato de você estar simplesmente, lendo.
Acho que devo te descrever fisicamente, falar de cada milímetro do seu corpo. Não para te fazer neuroses, mas para você entender o quão eu sei sobre você. Mas não, desta forma vou te deixar preocupada, e jamais te desejaria isto, prefiro faar que o seu corpo é perfeito, exato, completo, sem erros. Erros, aposto que você nem sabe o que significa esta palavra. De qualquer forma, acho que você está ciente da minha vontade expressiva, e quem sabe até pode me conceder um sorriso. Este sincero, só para me fazer pensar que pelomenos umas destas 467 palavras escritas, até agora (473), te trouxeram um pingo de felicidade."

Memórias


Nada andou após sua partida. O que era canção virou letras sem melodia. O que era certeza passou ser escuridão. Logo eu, que jurei não o sentir, prometi não depender do amor de ninguém. Pobre alma ingênua! Mal sabia que o amor não se deseja e que dependência não surge de uma forma intencional.
Você me deixou em um abismo, jurou vir me buscar um dia, mas não veio. Estou aqui, imóvel, sem olhar para os lados, sem enxergar outro alguém, sem tentar recomeçar.
Não, meu querido, não é comodismo; não estou bem nesse lugar frio, escuro e vazio. Sinto dor, a alma enruga junto com a minha face estática.
Não choro mais. Não tenho forças para molhar o seu nome com as minhas lágrimas- com razão, pois ouvi dizer que você não as sente mais. Não sente falta e não lembra mais das nossas juras.
Ouço vozes me chamarem. Escuto pessoas implorando pela minha volta à existência. Não voltarei, ficarei aqui agonizando de amor.
Talvez a culpada seja eu, esqueci de mim, e resolvi viver do que não posso mais tocar: memórias.

Sabrina Teles, 12/11/2010

Aflição


De olhos abertos graças ao efeito da cafeína. O coração pulsando por ser um movimento involuntário. A respiração está controlada, mas os olhos não conseguem esconder o sentimento de angústia que se sente.
Não há quem culpar, não dessa vez. É um dia normal, mas que com a nuvem negra que parou sobre mim, tornou-se um inferno.
Nada é capaz de prender minha atenção. Meu eu triste e confuso é minha prioridade. O meu maior desejo é sofrer essa dor sem fundamento em um lugar escuro e com a ausência de movimeto, som, opiniões, ausência de julgamento.
Não quero saber o que eles pensam sobre a minha angústia, não preciso da aprovação de ninguém para ser infeliz.
Quando se está feliz todos querem saber o motivo da sua felicidade. Na verdade eles querem sugar um pouco dela. Querem ter mais motivo para se sentir bem. Mas quando se está mal é mais cómodo não saber o porquê. Passar, olhar e partir, ninguém quer beber do cálice da angústia.
Agora bebo dessa tristeza em meio a multidão. O poço está um pouco mais em cima. Ninguém percebe que fico nele, pois não me ausento desse mundo. Não é necessário sumir para estar distante de todos.

Sabrina Teles, 28/11/2010

Mistério fatal

Eles insistem em criar remédios para tudo. Há desde aqueles mais simples, para dor de cabeça, azias, cólicas, até os mais complexos, para cânceres, hepatites e outras doenças pesadas. E para o mistério fatal? Eles não encontraram. Poderia colocar entre o substantivo, eles e o advérbio, não, outro advérbio, ainda. Mas não estão para descobrir, as chances são mínimas e forças maiores comandam. Quando as condições são essas, eles não costumam se atreverem a tentar desvendar mistérios.
Pouco me importa a receita do antídoto. Muitos já foram, e nesse momento um contraveneno não adiantaria nada. Quero mesmo entender o porquê dessa partida sem adeus, o porquê de um fim no começo de muitas histórias. Os mais sábios que conheço, nada me respondem, eles se perdem em meio a tantas teorias e práticas. Eu, uma mera adolescente, perco noites de sonos e dias de lazer tentando entender o que acontece após esse fim; ao mesmo tempo peço conforto para não enlouquecer com tanto mistério.
O problema não são as lágrimas, pois há água suficiente no mundo para hidratar o corpo e abastecê-las. A dor está na ausência, na rotina, nos costumes, nos afetos, no contato físico- que após o desfecho se faz impossivelmente impossível (a gramática que me perdoe, mas cabe aqui esse pleonasmo).
Neste momento uso as palavras como desabafo. O desejo real é reverter um passado evitável, é suavizar a dor de um coração magoado e com pedaços que foram levados pelo mistério fatal. Desculpem, mas não há fundamentações teóricas, pesquisas, nem nada do gênero. Escrevo porque os pensamentos não cabem dentro da caixola, sou entendida, mas não compreendida. Por isso jogo opiniões e dizeres aqui; onde posso “surrealizar” e viver um pouco daqueles que partiram.
Sabrina Teles, 15/12/2010

Comer para satisfazer um desejo seu. Algo meramente físico que influencia os problemas mais catastróficos do mundo. No final das contas tudo vai para o esgoto.

Mais sujo que a corrupção, mais sujo que todos os problemas é quem se alimenta deles. Não é ético falar de superioridade, falarei de evolução, pois é o que nós precisamos: evoluir.

Deixar o prazer do paladar de lado e pensar sobre o que se come é um bom começo, pois não adianta querer que a fome tenha fim se você a alimenta, não adianta querer árvores se você as derruba, querer a vida se semeia a morte, querer água se a gasta com produções em escala. Enquanto o ser humano comer a inocência se alimentar da dor o mundo nunca mudará.

Ouvi dizer que consumo de carne pode ter ajudado a desenvolver o nosso cérebro. Mas agora me pergunto: Para que serve essa tal de inteligência? Que raciocínio é esse? Sabedoria para o mal? Desenvolver para aparentemente buscar melhorias, mas no final das contas levar a humanidade ao caos? Sem dúvidas seria melhor ser o ancestral rotulado muitas vezes como “irracional”. Pois eu dotada de razão preferia não ter o computador e ter dignidade, não ter celular e ter sensibilidade com os problemas do mundo, não ter TV e amar meu próximo. Preferia não ter nada e ainda assim teria tudo: o mundo como uma criança, incorrupto e íntegro.

Sabrina Teles; 31/10/2010

Somente meu

O olhar oferecido para todos é o mesmo que recebo. O sorriso que me dá é aquele que distribui incansavelmente por aí. Dos seus pensamentos não consigo me apoderar, suas palavras não consigo decifrar, seus olhares não me pertencem, são de alguém que não me importa.
Só sei que quando estou ao seu lado prefiro não respirar para não correr o risco de afastá-lo. Quando consigo tocar em suas mãos prefiro que meu sangue não corra nelas para que a aceleração da minha corrente passe despercebida ao tato dele. Viro minha expressão e sentimento ao avesso para que ele não veja o quão sua presença me faz feliz.
O peito transborda de amor, de dor, de solidão. Não querer é impossível, ter é grandiosamente improvável. Você pode ler e até tentar entender, mas não conseguirá. Nunca o sentiu e jamais o sentirá. Porque quando o sentimento é real ele se faz único em sua existência.
Não importa por quem, nem para quem. Não é para ser conhecido, apenas o sentirei.
Sabrina Teles 18/10/2010

Revertendo

Enquanto os seus olhos queimam de sono, e você não consegue dormir, eu durmo tranquilamente. Enquanto você se desfaz com a minha ausência, bebo a alegria de outra presença. Não penso mais em você, não sinto mais o querer-te. Não só nessa noite, mas em todas.

Não há mais começo. Há um fim, há você sem mim e a solidão como sua mais fiel companheira. É ela que está com você. Diversões momentâneas no fim de cada dia são transformadas em solidão. Pois quando não há mais alguém que te acompanhe eu entro em cena em forma de memórias. Mas memórias não pesam. Memórias nada são perto do que de fato aconteceu.

Sei o incômodo que te causo, o abismo que criei entre nós causa isso. Posso até simular a sua dor, posso até rir dela.A intensidade da mesma não pode ser comparada a minha; perto dela o que senti é um átomo em todo universo. Posso dizer que sua dor carrega todos os átomos, posso dizer isso sem me sentir má. Pois atrás de cada maldade minha há um motivo seu.

Beba. Beba do seu veneno e se lambuze com ele. Esse é o preço que se paga por não crescer no mundo de gigantes. Agora cresce, moleque! Cresce e tenta na sorte pelo menos a honra do meu perdão.
23/09/2010, Sabrina Teles

Para todo o sempre

Parecia um passatempo. Não era inválido, mas realmente o tempo passava ao lado dele. Tentei mentir, tentei fugir, tentei não sentir, tentei fingir que ele não significava nada pra mim, mas valia muito.
Seu sorriso valeu ouro, suas palhaçadas diamantes, seu jeito me cativou tanto que não acreditava em tamanha felicidade em forma de gente.
Os momentos que passamos eram tão bizarros que pareciam irreais, as tramas que passamos eram coisas de novela. Mas não parecia que teria um fim; parecia que seria como das outras vezes.
Ninguém será igual. Porque ele se fez tão único, que em todo esse tempo não houve ninguém semelhante. Uma pessoa que me irritasse ou me fizesse sorrir da forma que ele me fez não encontrei.
A ausência virá, apesar de conviver fielmente com ela dia após dia, tinha a certeza que o encontraria assim que eu voltasse para lá.
Dos seus abraços não vou esquecer, de nada eu vou me livrar. Tenho certeza que seus caminhos foram trilhados pelo bem maior, e que a vontade dele seja feita sempre.
Por vezes eu disse que ele não tinha coração, que não amava a ninguém, mas foi nesse coração que disse que não existia, que a sua vida se rompeu. Já foi e não volta mais. Não posso dizer mais o que eu sinto nem sequer um adeus. Descanse em paz!
Sabrina Teles, 09/09/2010