Não é medo, nem receio. É neutralidade, é paciência para esperar o que talvez não venha. É a vontade muda, amiga dos sentimentos surdos e conhecida dos acontecimentos cegos.
Ao definir-se é contraditória, ao pronunciar-se é recatada. Ninguém nunca solicitou a sua existência, mas ela quis surgir para confundir-me e fazer-me embaralhar meus caminhos.
Não dói, mas não traz felicidade. Sensação de incompleto é o que o tempo tenta mostrar. Já os sinais dizem que é muito raso para entender e o melhor é fugir das incertezas do que as tê-las de forma nociva. Então fugirei.
O que se sente depois de falar muito e ouvir pouco é a sensação de vazio. É como se faltassem as palavras, como se elas tivessem fugido de você. Não, elas não foram embora! Alguém as guarda e faz melhor proveito. Melhor serem dadas do que não pronunciadas. Ele me deixa assim, falando muito e querendo escutar pouco. Ele me consome e não me recompõe. Não é de propósito, mas nós somos assim: o silêncio e o barulho, o quente e o frio, o rosa e o azul, o intenso e o superficial, a carência e a vontade. Não é necessária explicação e nenhuma indagação. O querer é finito, mas não se consome com os dias que se passam. É estranho, mas por mais que o esquecimento insista bater em nossa porta, nós não conseguimos abri-la. É como se algo não quisesse nos desligar, apesar das marés que nos puxam para fora de nós mesmos, somos capazes de manter a sensação do primeiro dia. Que não se apague, que seja contra a vontade de quem quiser, que seja nosso como sempre foi. Quanto menos se quer mais se tem. Por isso continuarei não querendo, para cada vez mais ir te tendo. Sabrina Teles, 14/08/2010
Ela não te quer, ela não te ama, ela só te engana. Aliás, ela faz isso muito bem. Na arte do querer de mentira, ela se desdobra e te faz acreditar que é único. Na arte do não amar, ela declama versos copiados e colados de apaixonados e você mais uma vez acredita no amor cínico e sem escrúpulos . A arte do enganar é a especificidade dela, do por que não atendeu ao telefone, até o motivo de não ter te encontrado ontem. Ela sabe dizer, se explicar sem deixar nenhum vestígio. Você afirma para todos, se gaba, se orgulha do amor que aquela mulher sente por você. Coitado, mais uma vítima iludida. Esse tipo é o mais lamentável, acredita que tem uma linda dama lhe esperando em casa, quando na verdade ela está por aí e nem sequer lembra-se de ti. Não chore quando descobrir o quanto ela te enganou, não é digno, é assim que ela se sente feliz, vendo implorar o amor de mentira de volta. Desista, você não vai conseguir. Quando descobrem a verdade, ela se atira no mundo mais uma vez, não lembra seu nome, nem o seu telefone. Tudo que você pensar em fazer, ela já analisou muito antes, por isso ela te descartará e buscará outro jogo, antes que apareça algo que te faça pensar se existe alguém melhor que ela. Ela partiu. Sabrina Teles, 13/08/2010
Queria te guardar, queria não apagar tudo. Mas não há somente nós dois, há um mundo inteiro, um mundo grande e repleto de pessoas, amores, sorrisos, lágrimas e um pouco mais. Não depende de mim, nem de você. Depende do que o tempo vai estar afim, do que ele vai querer dizer pra nós.
Não posso prever o futuro, nem saber do amanhã, mas sinto que o tempo nos dirá não. Dirá não a tudo que fizemos, dirá não pra os nossos planos e pra alguns desejos. Nada disso é por acaso, não é o destino. Andamos por pontes que nós construímos. Se ela for fraca cairemos na primeira travessia, se for forte pode resistir a algumas ventanias.
O mundo não pára para que nós possamos existir, ele continua aqui, rodando e mudando as coisas de lugar. É tempo demais para afirmarmos. São milhares de segundos, milésimos. São vários sols e várias luas, mas é apenas uma estação do ano para esperar, e outra para viver. Mas a que vivemos agora se prolonga muito mais do que aquela que está por vir.
Não posso viver o que não é meu e o que não sou eu, por isso adianto algum tipo de oscilação em nossas vidas enquanto é cedo, enquanto nem a metade do tempo se passou.
Não precisa temer como vou reagir, pois não irei fazer nada, porque eu sempre soube onde pisava, mas continuei trilhando um caminho incerto. Não estava previsto, mas dedução é a arte de quem não tem poderes para prever o futuro.
Está nítido e claro o que deve ou não ser feito, vá em frente e desista. Não preciso mudar quem sou e nem implorar o seu amor. Nunca precisei; eu já o tenho sem precisar pedir. Continue, mas siga sabendo que se disser oi para ela, terá que bruscamente me dizer um adeus sem volta.
A encontrei sentada em um banco. Parecia que não era a mesma de ontem. Ela carregava um sorriso. Suas unhas estavam pintadas, seus cabelos compridos, sua roupa era diferente e seu perfume também. Ela cheirava a crescimento e esquecimento. Tentei me aproximar, falar, sorrir, mas o seu olhar em minha direção era completamente vazio. Era como se eu não estivesse ali, era como se não existisse. Gritei alto e até suspirei antigas juras de amor, mas ela nem se moveu. Tentei beijar-lhe os lábios, mas os delas nem saíam da secura que era o silêncio. Sentei ao lado dela e lembrei-me do pra sempre, do nosso possível casamento, dos nossos futuros filhos, que por sinal já tinham nome. Lembrei-me de todas as noites e de todos os dias, do amor intenso que existiu entre nós, da dependência que tínhamos um pelo outro e da paz que aquela menina, hoje mulher, me trazia. Acariciei os seus cabelos da forma que ela mais gostava, beijei a ponta do seu nariz para fazê-la sorrir como de costume, tentei dizer em seu ouvido segredos nossos, mas o sorriso nos seus lábios era pra quem passava na rua e a observava. Enganei-me, era possível um dia ela me anular. Não sou inesquecível e ninguém está disponível a vida toda, não foi necessária uma vida. Dois longos anos fizeram a minha pequena amadurecer e ver que o eu dela não estava em mim e decidir buscar a felicidade pelos caminhos escolhidos de forma autônoma. Estupidamente homem, estupidamente egoísta e estupidamente eu. Eu que a deixei ir, a perdi e a tatuei. Ela? Ela disse adeus e cegou-se diante a minha imagem. Sabrina Teles, 12/08/2010
Tão meu e de mais ninguém. Dono de um olhar seguro e um sorriso sincero. Mãos acolhedoras e boas intenções. Transmite uma alegria constante e o sonho de um futuro ao meu lado. Compreensão, calma, amor e outros sinônimos. Sabe enxergar o meu interior e me fazer crescer. Impulsiona meu acordar em manhãs típicas de segunda-feira. Me completa e dá sentido a um coração que há pouco tempo era só uma incógnita. Seca as lágrimas que ainda correm de um passado doloroso. Segura firme a minha mão e só com um olhar diz que tudo vai ficar bem. Coração acelera fugindo da rotina, o corpo sua frio e o despertador toca como de costume. Por que só nos meus sonhos existe uma pessoa assim? Tão bem feita pra mim. Sabrina Teles, 08/08/2010