O que se sente depois de falar muito e ouvir pouco é a sensação de vazio. É como se faltassem as palavras, como se elas tivessem fugido de você. Não, elas não foram embora! Alguém as guarda e faz melhor proveito. Melhor serem dadas do que não pronunciadas.Ele me deixa assim, falando muito e querendo escutar pouco. Ele me consome e não me recompõe. Não é de propósito, mas nós somos assim: o silêncio e o barulho, o quente e o frio, o rosa e o azul, o intenso e o superficial, a carência e a vontade.
Não é necessária explicação e nenhuma indagação. O querer é finito, mas não se consome com os dias que se passam. É estranho, mas por mais que o esquecimento insista bater em nossa porta, nós não conseguimos abri-la. É como se algo não quisesse nos desligar, apesar das marés que nos puxam para fora de nós mesmos, somos capazes de manter a sensação do primeiro dia.
Que não se apague, que seja contra a vontade de quem quiser, que seja nosso como sempre foi. Quanto menos se quer mais se tem. Por isso continuarei não querendo, para cada vez mais ir te tendo.
Sabrina Teles, 14/08/2010

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